domingo, 27 de fevereiro de 2011


Olivieri Giovani Rusciolelli me disse, lá no facebook:
 "Leila, temos dois LOBOS dentro de nós, e que lutam ferozmente. Um; impiedoso, avarento, infeliz, mau. E outro; alegre, solidário, apaixonado, forte. Quem vence? Aquele que eu alimento."


sábado, 26 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Fernando Pessoa

Como é por dentro outra pessoa

Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo. 





segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Antigo



Traços da Alma , por  Nilza Procopiak, 2007






Nem sempre é você que escolhe as coisas na vida. São elas, muitas vezes, que escolhem por você.


Basta uma palavra, um livro, uma música, a ida eventual a um museu ou algum outro lugar para a mágica levar a pessoa a um objetivo, até aquele instante, desconhecido.






As coisas que escolheram Leila Pugnaloni se resumem a uma só palavra: arte.






Só que esta escolha veio de ambas as direções. Há intensa reciprocidade entre as duas partes, tanto da artista quanto da que se refere à arte, numa simbiose que envolve o íntimo da artista, sua vida e sua obra.






É claro que isto também ocorre com outros artistas, porém... com Leila é diferente.


Pois este seu envolvimento é levado ao limite, considerando que se apresenta em um grau altamente significativo.






Sua intimidade com a arte começa em seu próprio corpo. Transformado em arte, ele é o instrumento e a arte, a música de sua expressão artística. Em conseqüência, seu corpo inteiro passa a ser o meio para o traçado das linhas em seu desenho.






Comparando com a música – e a arte de Leila é totalmente lírica – seu instrumental seria, talvez, um violino em que cada nota tocada, mesmo por um virtuose como o russo Maxim Vengerov, fosse resultante da alma. Tal como acontece com o violinista e seu violino, é esta energia interior que, fluindo para os materiais de desenho da artista, faz com que cada fibra de seu ser seja orientada para o instante epifânico do traçado da linha.


Em Leila, como em Maxim, o extremo virtuosismo se alia a uma total dedicação para aprender, para se superar, para atingir a meta que, quando jovem, ela se auto impôs.






Sua infância já a encaminha para a arte e refinamento, minúcias e gentilezas, transcendência e vanguarda, primazia e concentração.


De um lado, a influência de seu pai arquiteto trabalhando na arte das formas, da geometria, dos cálculos matemáticos, das perspectivas, das construções e a menina rondando o escritório do pai, quietinha, perguntando uma coisa e outra, vendo os desenhos se sucederem.






A parte masculina e cerebral, representada pela figura do pai, é compensada, com igual intensidade, pela personalidade sensível da mãe, pessoa suave, elegante, de extremo bom gosto e, sobretudo, dona de uma sabedoria milenar que a artista dela incorpora. Com sua mãe, Leila compartilha os segredos da decoração, das receitas culinárias, da penteadeira, onde desfilam os batons, os perfumes, as cores e as formas dos vestidos. Dela também provém sua dedicação à natureza, o amor aos animais, além da ciência do bem receber os amigos.






A atmosfera da casa de seus pais se transmigra no ambiente acolhedor de seu lar aqui em Curitiba, junto com Jaime. A somatória de todas estas influências, mais estudos no Rio de Janeiro, Curitiba e Nova York, viagens ao exterior, sua própria sensibilidade e persistência se traduzem na excelência de sua obra.






Da obra que faz da própria trajetória da artista o repertório e cujo processo criativo – fundamentado em estudo, pesquisa e trabalho árduo – se assemelha ao clímax da música tocada na hora do concerto, quando mais se exige do intérprete.






O único objetivo de Leila, ao pegar a canetinha de arquiteto, o bastão de bambu ou o pincel com nanquim, é o ato de desenhar: "Agora eu vou desenhar!", a artista explica. Não existe a pré-cognição do tema ou o desejo de traçar algo especificamente pré-concebido. E deste ato de vontade sairá, indiscutivelmente, uma obra de arte. A artista possui o direito e o dever de exercer a criação que ela conhece e domina profundamente.






Assim, o importante, para a artista, diz respeito à sua expressão artística, sendo ela o sujeito para a elaboração das formas. Ao enfatizar aqui a artista como sujeito, salienta-se o papel primordial do seu repertório, sua identidade e sua personalidade – da essência interior que ela possui – para se expressar através dos materiais e do gesto.






Ao artista é requerido o domínio de três fatores básicos: o conhecimento dos materiais, da história da arte e da aplicação ou uso artístico destes mesmos materiais. Acrescenta-se à trilogia, o que se chama em alemão: weltanshauung, ou concepção do mundo, filosofia de vida, entendimento. Todos são atributos que atingem a plenitude na artista.






O fato dela não pré-selecionar a linguagem em seu desenho, faz com que ele se torne relacionado visceralmente ao momento da criação.


Como a qualidade da obra de Leila é imanente – permanente e inseparável – à sua vida, a continuidade de seus desenhos pode ser descrita como círculos concêntricos tendo a artista como centro e origem. Portanto, teoricamente, a cada ângulo que ela se dirija poderá haver vertentes infinitas.


Porém, isto não acontece porque suas linguagens mantêm as características que denotam a sua autoria e, portanto, são contidas em número.






O que ocorre, entretanto, é que suas linguagens são sincrônicas, não no sentido que todas elas se apresentem ao mesmo tempo. Mas sim, no sentido figurado, em que obras de anos atrás possam ser facilmente comparadas a outras executadas hoje em dia.






Conseqüentemente, este círculo se projeta no tempo e no espaço fazendo com que a continuidade de seu trabalho seja quase uma espiral de fases – composta em seus múltiplos níveis de estudos, pesquisas e linguagens artísticas – na qual a artista se desloca de uma linguagem à outra, avançando nas diversas instâncias dos círculos interligados.






Este deslocamento pode ser feito tranqüilamente pela artista porque os desenhos do início de sua carreira, nos quais são mais visíveis as influências de Oskar Kokoschka e Gustave Klimt, já traziam embutidos os elementos e muito das características e aspectos que irão florescer em sua obra madura, revelando uma constante que se exprime como coerência artística.






Leila trabalha retomando aspectos do desenho – que mesmo tendo sido explorados em época anterior, no seu entendimento, não tiveram seu potencial devidamente aproveitado – e surpreendentemente, ela dele extrai novas variantes aplicando sua fértil criatividade. Assim, a artista interage com sua obra, dela recebendo feedback para a continuidade de seus desenhos.






A partir daqui, se faz urgente a introdução do termo desenhista para designar a artista do desenho, uma vez que está comprovado que este texto não se refere a um desenho qualquer. Estamos tratando da excelência, tanto do desenho quanto da desenhista.






Então, a desenhista não utiliza cenas montadas nem vocabulário anedótico que conta enredos. Para quem trabalha assim, como faz a maioria dos que lidam com desenho, fica muito fácil manipular símbolos e formas – pois estes são cada dia mais reconhecidos devido ao incremento da comunicação visual – e com eles fazer narrativas que comparo com histórias em quadrinhos.






Quanto à Leila, seu motivo não são personagens contando historietas. Ao contrário, o seu desenho é muito difícil de ser executado porque ela prescinde voluntariamente deste recurso.


A artista trabalhou anos, com afinco, para aperfeiçoar os procedimentos do seu processo, de modo que o desenho – por ele mesmo – retrate sua própria situação gráfica, independentemente de esquemas anedóticos. Isto é algo que vários dos famosos do desenho brasileiro não fazem, porque não conseguem separar a parte gráfica da arte do desenho da parte anedótica do contar história.






Por outro lado, não há necessidade que a desenhista faça narrativas porque, na raiz ou em princípio, o seu desenho não é nem seqüencial nem narrativo. Ele nasce e permanece fundamentalmente sincrônico. Na elaboração – que só não é simultânea, porque dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar, no mesmo tempo, no espaço – a desenhista é extremamente rápida na concepção-desenho.






Um dos seus temas principais tem como base o próprio corpo humano, dispensando pistas explícitas de sentimentos ou situações em que suas figuras se encontram. É unicamente o corpo, traçado com pouquíssimos bits de informações, que passa a sugerir, a insinuar – não a narrar – suas diversas vicissitudes, simultaneamente, sem a preocupação de contar historietas alheias à sua figura.


Assim, o desenho depende do olhar do observador que lhe retira o íntimo, a alma, o drama humano.


É deste modo que seu trabalho atinge o status de obra de arte, que não precisa ser traduzida, porque seu âmago é a arte e não a informação. Persiste, então, um grau de incerteza, de mistério, de dubiedade, provocado pela artista, que é próprio da arte contemporânea.






As figuras de Leila são o corpo humano em seu fundamento e também em seu espírito. Na ausência de elementos acessórios ao tema – mesmo que haja indícios ali deixados, eles são poucos, quase abstratos – a artista limpa toda a imagem, deixando-a clean em forma de síntese. Não esquecer que "menos é sempre mais".






Aproximando desenho da sua própria essência, ou seja, da fundamentação gráfica, seu trabalho gira em torno do mínimo de elementos gráficos e o máximo de recursos gráficos – como variações na espessura e continuidade das linhas, deformações na perspectiva, nas proporções das figuras, visualizações insólitas – que compõem e criam perfeitamente a atmosfera imbuída no desenho.






E mesmo assim, nas escassas linhas de sua síntese gráfica, a desenhista consegue sugerir elementos que permanecem "em suspense". Silvio Zamboni escreve: "Sentir algo que estava escondido". (1)


Isto contribui para que, no território do não totalmente explícito, venham a surgir indagações, indefinições, paradoxos, mistérios, propiciando ao observador uma série de possibilidades interpretativas. Portanto, a artista deixa sua obra em aberto para o repertório do fruidor defini-la em sua leitura individual.






E aqui entra outro fator determinante em seu desenho: sua obra, além de contemporânea, é aberta, no sentido descrito por Umberto Ecco e pode ser definida como work in progress.






Com Leila, a reflexão teórica precede a criação, pois ela está continuamente pesquisando. Seu trabalho tem início em bases estético-artísticas estudadas anteriormente, porém não necessariamente próximas ao ato criativo. Este processo contínuo vem acompanhando-a ao longo do tempo, sendo uma de suas principais preocupações a equiparação de seu referencial teórico aos estudos mais recentes da arte.






O que vem explicar, igualmente, o uso freqüente de citações, frases, palavras, perguntas, assertivas em seus desenhos, que não é de se estranhar, pois ultrapassando a compreensão do significado da escrita, as letras são constituídas por traços e implicam expressão gráfica, como tão bem sabiam os dadaístas. Desenhos "Paul Klee e "Michaux"


Sobrepondo-se ao emprego de citações como metáforas, lembretes, esta é uma maneira adicional da artista conversar com o desenho, espelhar-se na obra, dar recados ao mundo das artes e principalmente, dialogar com o fruidor, como no trabalho "entendi".






Ao lado, há outra linguagem, chamada aqui de “memories”, constituída por desenhos-croquis baseados num sistema fragmentário, equiparado a álbuns de recortes que contêm fotos, recortes, papéis, ilustrações e dizeres – compostos numa vertente neo-dadaísta.






O processo permanente de estudos da desenhista é complementado na prática, por meio de milhares de folhas de papel que ela utilizou no desenvolvimento do seu traço característico, nas milhares de horas que ela passou exercitando a mão, analisando teoricamente o assunto, colhendo informações e o treino... mais do que tudo, o treino para que a mão passe a seguir-lhe a criatividade e o fluir da linha específica que ela deseja que se torne forma.






"Criar é, basicamente, formar", nas palavras de Fayga Ostrower.






E para que as formas apareçam no branco do papel, a desenhista introjetou em seu cérebro um repertório de múltiplos pontos de vista que lhe permite a mais completa exploração dos corpos humanos vistos dos mais imaginativos ângulos. Derivado da aplicação do método cubista analítico, que trabalha com o objeto encerrado no cubo de seis faces, ele lhe dá pleno conhecimento das formas humanas.


Cada figura é vista de um diferente ponto de vista. Algumas vezes, sente-se que, mesmo repetida na sua forma inicial, a mão da artista acaba por descobrir um novo plano, um novo enquadramento, demonstrando com isso uma total apreensão da figura humana e da visão 360º. A artista tem uma incrível capacidade de se colocar em qualquer ponto do espaço, girar mentalmente suas figuras e nelas encontrar aspectos inéditos. Desenhos "articulação" e "crise".






Em alguns desenhos, seu traço converge para o que posso chamar de simbolismo sintético. Através do desenho de seu pai arquiteto, sua linguagem sofre influência do modernismo nas formas arredondadas e resumidas, não se limitando, porém, ao já consagrado. Seu expressionismo também não segue o caminho já trilhado das proporções e situações. Ver "pós-humano" de 2004 e "crise 001".






A desenhista apresenta questões contemporâneas de composição e a essência própria de um design, entendido aqui como síntese linear. Obtida por meio de linhas ligeiras que mantêm, além da unicidade, a eterna busca pela matéria volátil, que se dissolve no ar deixando apenas vestígios, com os quais, ela incrivelmente dá conta do traçado fundamental.


Para atingir este objetivo, muitas das formas flutuam no branco do papel. A ausência de fundo contribui para situações intemporais, haja visto seu emprego na arte egípcia, nos murais bizantinos, entre outros, que propugnavam o eterno. Ver "collection 002 - 2004" e "ousando" que, embora pertencentes a duas linguagens paralelas, são próximas neste aspecto.


Em "leila 4" o casal é desenhado com bastão de bambu, com linhas que se estreitam e ampliam na espessura resultando em resolução gráfica radicalmente diferente do traçado com canetinha de nanquim.


É notável a apreensão não só da faceirice, como também dos traços do rosto que denotam a personalidade da figura retratada no trabalho "colar e anel".






Isto faz lembrar outra característica de sua obra. O vazio é o grande componente do desenho de Leila. Muitas vezes, não é o objeto retratado que se destaca, mas o espaço ao redor dele.


Nenhum artista no desenho brasileiro teve tal domínio do espaço. Ver novamente o desenho "ousando".


Os traços estão em essência, sugerindo esboços que o olhar completa e nos quais não se nota a ausência ou a falta da totalidade da figura, pois suas linhas insinuam volumes que não existem, mas que são preenchidos automaticamente pela visão.


Levado a complementar as formas, o observador não tem consciência que a desenhista fez dele um cúmplice, já que tem de empregar seu cérebro e sua percepção visual para concluir a obra – como se fosse um jogo que Leila propõe sorrindo.


Nesta concepção artística, outro destaque é que a desenhista não enfatiza a estrutura, seja nos corpos, seja nos acessórios.


Fato raro no desenho, o traçado é que vai sugerir, ao contrário, pedaços, detalhes, sublinhando parte das partes carnosas do corpo. A carne se transforma na linha limítrofe do corpo, perdendo a substância plástica e tridimensional e se tornando linha achatada em volume real, resumindo-se ao sutil corpo físico do nanquim.


Porém, na visualização, devido à vida que carrega, a linha – uma vez traçada pela artista – passa a sugerir volume e adquire alma. Desenhos "articulação", "alongamento".






Outra questão que claramente deixa rastros na obra é a influência que a tríade de cidades exerceu nela própria e em seu desenho. Nascida no Rio de Janeiro, residente em Curitiba, sempre acolhida em Nova York, Leila vive e transita por estes lugares, raízes de sua criatividade.


Em Curitiba, a artista testemunhou muitas das transformações que mudaram o rosto da cidade. Ela, que já havia incorporado em suas referências as casas polacas, os lambrequins e os campos, também levou para seu desenho traços do planejamento urbano que marcou a cidade nos últimos anos. Leila absorveu Curitiba e criou amor por ela. Sua paisagem curitibana reflete esse amor desenho afora.






Voltando ao Rio de Janeiro, quando moça, ela estudou no Parque Lage, trabalhou na Galeria GB, teve Darel Valença como seu mentor artístico, conviveu com a "intelligentzia" e a arte locais. O Pão de Açúcar, as praias, o mar, o perfil dos morros, o sol, as palmeiras, são aspectos recorrentes em seu traço.






Da "Big Apple", onde ela também estudou, a contribuição vem basicamente em forma de atualização artística, museus, novidades, galerias de arte, exposições de arte. A cidade é fonte de informação e contemporaneidade, mas não aparece registrada em seus desenhos.






Numa variante de desenhos relacionados à cidade, surgem os cenários constituídos de reminiscências arquitetônicas, vistas de interiores de casa, planos em perspectiva, detalhes femininos – máquina de costura, vasos de flores, plantas – equivalentes à reprodução do mundo de seus pais, somado à sua própria memória de vida... como as obras "costurando" e "lista de compras".






Inseparáveis da artista e ocupando um lugar especial em sua casa, vida e obra estão os animais de estimação. Os bichos: o gato Bianco, a cachorrinha Valentina, o siamês, entre tantos outros, são fonte permanente de inspiração e desenho. Junto às centenas de pássaros em pleno vôo, captados num traço ágil e ligeiro em consonância com a rapidez com que ela desenha. Demonstrativo cabal da ligação que existe entre o modo de desenhar e o motivo capturado, suas aves voam no ar e nos traços.


Diferente dos pássaros, o traçado dos mamíferos é mais plácido, apesar da agilidade com que a desenhista o executa. Ela não faz esboço, o traço sai direto, a apreensão das formas do desenho "saudade do gato Bianco" é uma aula de anatomia felina executada com bastão de bambu.


Convivendo com animais, no que sou igual a ela, posso bem avaliar a perícia, sensibilidade e controle manual requeridos para executar – numa única linha que se inicia na ponta do rabo e vai até a orelha – todas as particularidades contidas no formato do animal que se traduz por ossos e músculos recobertos de pêlos! E, no entanto, está tudo lá. Subentendido em duas manchas pretas percebe-se que até os olhos do gato estão abaixados, porém arriscando um olhar preguiçoso à Leila que o desenha. Ele dormita, apoiando o queixo na patinha. Linhas que se revelam anatômicas pelo simples deslizar do bambu.


Com Valentina a história é outra: nota-se a extrema agilidade sensível dos desenhos na descrição do olhar carinhoso e compreensivo da cachorrinha. Dá vontade de levar o bichinho para casa!






Voltando às plantas, elas estão interativamente presentes em grande número na sua obra gráfica, divididas em cinco variantes, de acordo com os motivos inspiradores que representam.


Variando desde plantas arquitetônicas e mapas das cidades até as plantas e folhagens vivas dos terrários, passando por elementos de paisagem como árvores, arbustos; mais plantas como flores, folhas ou frutos desenhados em padrões e estes mesmos padrões desenhados em grandes ambientes tridimensionais.


A predominância das folhas, plantas e, aqui e ali, pequenas flores vermelhas, todas traçadas em padrões pode ser vista no desenho "4 ame". Neste, ao invés dos poucos elementos que a desenhista usa normalmente, a linguagem "sangra" o papel.


Mesmo assim, há um espaçamento adequado entre os elementos, deixando a obra respirar. São alegres e brejeiros estes riscos saltitantes que povoam o suporte.


As enormes paredes cobertas de traços com a mesma linguagem gráfica, Leila apresentou na exposição da Galeria Ybakatu - Espaço de Arte, onde ela pode expandir espacialmente seu desenho. Naquela ocasião, a obra resultante foi uma instalação, tomando conta do ambiente e propiciando ao visitante um mergulho radical em seu trabalho.






Finalizando, na "Exposição de Desenhos – Jardins Transportáveis" Leila introduz literalmente a vida na sua obra, transformando a instalação e o desenho em seres viventes.


Não há dúvida que a vida sempre foi enfatizada em toda sua obra gráfica, uma vez que o maior percentual dela se refere ao ser humano, animais, flora, natureza, paisagem e, em última instância, à existência da própria Terra-vida.






Apresentada no Museu Universitário de Arte da UFPR, a exposição foi um libelo à vida e ao desenho, ultrapassando diversos limites dos habitualmente impostos a esta expressão artística.






A instalação foi composta por desenhos e uma série de pequenos jardins com plantas de verdade cultivadas nos terrários – bandejas de poliuretano – e suspensas em estruturas de metal com rodinhas.


O nome "Jardins Transportáveis" é relacionado às estruturas de metal que são, na verdade, carrinhos – e por que não "vender a idéia" de jardins que possam ser levados pela casa e andar por aí?


Uns eram pintados de branco, outros pretos: a presença e a ausência de luz, o papel e a tinta, o suporte e a linha. Sem falar da outra palavra que designa plantação: "cultura".






Nos pequenos jardins dos carrinhos, a desenhista inseriu plantas, pedregulhos, musgos, flores que são complementados pelas formas sinuosas dos jardins de Burle Marx – outro de seus inspiradores, ainda no Rio de Janeiro de anos atrás. Não esquecer que o jardim personifica o Zen – o caminho.






Também nas bandejas, estão alguns desenhos. Daí, intensificam-se as conexões; partindo da bidimensionalidade, as linhas desenhadas sobre o papel avançam para a lâmina de vidro acima dele que, também desenhada, incorpora a qualidade da terceira dimensão, além da troca do suporte na mesma obra. Ver "detalhe".


Em outro trabalho, é a água que vem preencher um espaço já desenhado com padrão de plantas e flores, culminando com delicadas flores naturais vivendo no líquido. O desenho se torna tridimensional quando se corporifica e, pelas flores, vivo. Ver "pormenor 2".






Curitiba. Uma tarde ensolarada. Céu azul de brigadeiro.


No amplo e acolhedor loft-estúdio de Leila Pugnaloni, o assunto, como não poderia deixar de ser, é arte.


— E como fica o desenho perante as novas tecnologias? pergunta a desenhista.






— Traduzido em arte, o desenho de Leila se cria, se torna um ser existente, não precisa de novas tecnologias.




Nilza Knechtel Procopiak

Filiada às ABCA/AICA – Associações Brasileira e Internacional

dos Críticos de Arte e da ANPAP – Associação Nacional dos

Pesquisadores em Artes Plásticas – Comitê de História, Teoria e

Crítica de Arte.



(1) Zamboni, S. A Pesquisa em Arte – Um Paralelo entre Arte e Ciência, 2ª. Ed. Campinas SP Ed. Autores Associados, 2001.





1982, Coleção René Dotti.

PINA

http://vimeo.com/17772908

domingo, 20 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

rio

danço, choro
o corpo em águas

mar

 
 
(Leila Pugnaloni, 2009)

Uma preciosidade: Leçons de dessin

http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b7200102j.langFR

Alice Ruiz

“ p/ Leila Pugnaloni

cidade no quadro
...refletida no vidro
a floresta”



( poema da Alice Ruiz, feito p/ mim)

Mário Quintana

"Somos donos de nossos atos,mas não donos de nossos sentimentos;



Somos culpados pelo que fazemos,mas não somos culpados pelo que sentimos;


Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos...


Atos sao pássaros engailoados, sentimentos são passaros em vôo".

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Fragmento do texto de Nilza Procopiak, no livro DESENHOS, de 2007

..."A partir daqui, se faz urgente a introdução do termo desenhista para designar a artista do desenho, uma vez que está comprovado que este texto não se refere a um desenho qualquer. Estamos tratando da excelência, tanto do desenho quanto da desenhista.
Então, a desenhista não utiliza cenas montadas nem vocabulário anedótico que conta enredos. Para quem trabalha assim, como faz a maioria dos que lidam com desenho, fica muito fácil manipular símbolos e formas – pois estes são cada dia mais reconhecidos devido ao incremento da comunicação visual – e com eles fazer narrativas que comparo com histórias em quadrinhos.
Quanto à Leila, seu motivo não são personagens contando historietas. Ao contrário, o seu desenho é muito difícil de ser executado porque ela prescinde voluntariamente deste recurso.
A artista trabalhou anos, com afinco, para aperfeiçoar os procedimentos do seu processo, de modo que o desenho – por ele mesmo – retrate sua própria situação gráfica, independentemente de esquemas anedóticos. Isto é algo que vários dos famosos do desenho brasileiro não fazem, porque não conseguem separar a parte gráfica da arte do desenho da parte anedótica do contar história.
Por outro lado, não há necessidade que a desenhista faça narrativas porque, na raiz ou em princípio, o seu desenho não é nem seqüencial nem narrativo. Ele nasce e permanece fundamentalmente sincrônico. Na elaboração – que só não é simultânea, porque dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar, no mesmo tempo, no espaço – a desenhista é extremamente rápida na concepção-desenho..."

sábado, 12 de fevereiro de 2011

gralha zul com pinhão no biquinho, araucárias e casinha de colono...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

2009 ( colorido em 2011)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011